
As vezes me dá uma vontade de voltar pra casa…
Mas aí eu paro e me pergunto: onde é minha casa?
Talvez a minha casa não exista mais… minha casa éramos nós todos juntos. Porta aberta, entra e sai, correria, falta de privacidade (que no fundo eu adorava), tocar flauta com o Ricardo, ouvir Raul Seixas com o Rodrigo, aula de música, tocar piano, dançar, ver um filme, almoçar juntos, fazer bagunça, “brigas” infantis, ir ao mercado com o Vôvô e ficar super feliz porque ele comprou sorvete. Esperar minha irmã chegar de noite para conversar e dormir de mãos dadas com ela. Ou dormir com o vôvô fazendo minhas costas de piano. Conversa no quarto só entre irmãos, conselhos e confissões. Vóvó ensinando a gente a rezar a ‘ave maria’ às seis da tarde. Banho de chuva com a mamãe (chuva vai, chuva vem, chuva miúda não molha ninguém…). Ouvir música com o papai. A família toda reunida, tios, primos, irmãos e música, sempre muita música. A Camila, sempre a Camila. E riso… sempre muito riso. E amor… sempre muito amor. Os amigos… tantos amigos. Amigos de momento e amigos de todo o sempre!
Rita, Ronaldo, Ricardo, Roberta, Rodrigo, Oliveira, Neuza, Camila… Ricardo e Raquel… Roberta e Gustavo… Rodrigo, Helena, Tarik e Breno…Camila, Renato, Caio e Theo….Tio Geraldinho, tia Ibis, Larissa, Igor, Iaponi, Raoni. Tia Helena, Katia e Dé & Dri. Tio Roney, tia Isabel, Katita, Kelley, Klaus e Kris. Tia Zi , tio Arnaldo, Ravi e Rainer. Tio Betinho, tia Meg, Dassa. Tio Betinho, Raquel, Nicolas. Tia Zaly, tio Ovidio, Bia, Gui e Barbara. Tio Jorge, Monique, Rafael. Tio Sergio, tia Cristina, Ju, Natalia e Murilo… Bi, Nélia, vô Anézio, vó Valdina, Neli, Nelzi, Wagner, Seu Paulo e Dona Marlene, Cris, Ana, Maria… Amigos da escola, amigos do Movimento Bandeirante, amigos da JEAG, amigos do GEAL, amigos da faculdade, amigos da Fiocruz, amigos da dança, amigos da UFRGS, amigos do SwáSthya… Amigos da Rio Branco, a Flores, a Nai, o Lucas, a Juju, o San, o Carlitos, a Manu, o Eder, a Pati, e mais tantos outros… Amigos do Rio, amigos de Porto Alegre… Maicon… Maicon, Cris, Silvia, Amilton, Ivanor… Amigos de Paris… Maicon…
Todos e cada um no meu coração. Mas o tempo passou. É o tempo passa. E cada um segue seu rumo, descobre novos caminhos. Alguns já não estão mais entre nós. Outros trouxeram outros para fazerem parte da nossa vida. Uns sempre fizeram parte dela, outros tantos se juntaram no meio do caminho para enriquecer nossas vidas. Uns há mais tempo, outros há menos. E todos nós mudamos. E tudo mudou. E todos nós não somos mais os mesmos de outrora, embora o amor, esse sim permaneça sempre imperecível tal como na minha casa… essa casa para qual tenho vontade de voltar quando a saudade aperta.
Mas de fato, esta casa não existe mais… Mas ao mesmo tempo existe pra sempre, firme, sólida e viva, na minha memória e no meu coração.
Nossa casa é construída dia-a-dia, com cada momento e com cada pessoa que faz parte dele. E cada momento é um tijolo insubstituível da casa… O tempo não volta atrás, os momentos não se repetem, as pessoas mudam a cada instante… Portanto, precisamos aprender a apreciar, valorizar e viver plenamente o momento… presente! E não deixar nunca de acrescentar tijolos nessa casa que se torna cada vez maior, mais bonita, mais rica. Rica de amor, de amigos e de momentos únicos e especiais!
Assim, minha casa é aqui ou acolá. Minha casa pode ser qualquer lugar… desde que o amor esteja sempre lá!